A minha estação preferida é o outono. Mas não o outono que realmente vivo, mas aquele que desejo sempre viver. Na verdade, isto acontece-me com todas as estações, mas é nesta que me desanimo mais por não viver realmente num filme.
Gosto do chá quentinho, de estar deitada no sofá com a manta enquanto vejo um filme poderoso demais para mim enquanto as flores vermelhas lá fora começam a cair.
É a estação com as cores mais bonitas. Quando as folhas mudam do verde para o vermelho antes de serem castanhas e mortas, o vermelho parece ainda mais vivo e brilhante do que o antigo verde.
O vento não gela a pele, é um vento morno que nos dá vontade de dançar com ele, no meio dos seus braços e das suas voltas e rodas.
A luz é brilhante mas não é forte demais, a roupa é quente e agradável. Não temos de agradar a ninguém nesta estação, só a nós. É perfeito poder vestir qualquer coisa e ficar bem e quente e confortável como se não tivesse sequer saído da cama.
Estar sozinha no meu casulo sem ser incomodada enquanto vejo na janela as árvores a mudar, o tempo a esticar e encolher, a noite a chegar e logo a seguir o dia. O vento que de vez em quando decide passar pela janela e cumprimentar-me simpaticamente.
Adoro tudo, tudo me deixa agradavelmente num estado de impassividade em relação ao mundo. O tempo não é propício aos grandes eventos como o verão, mas não é completamente congelador ou controlador como o inverno. É um meio-termo feliz, e com ele feliz eu sou.

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