Todo o dia, todo o dia...
Eu choro, eu rio, eu sinto a falta que me fazes.
Eu vivo, mas não sou eu, já é outro alguém que se apoderou do meu corpo, alguém vazio.
Ou se calhar até alguém cheio, só que me sugou e eu é que sou vazia.
Toda a hora, toda a hora...
Os minutos se soltam do relógio e voam pela janela.
A distância aumenta, tu foges e eu fico no mesmo sítio.
Ou se calhar eu fujo e tu ficas no mesmo sítio. Com o tempo já não sei quem corre e quem sofre.
Todo o minuto, todo o minuto...
É apenas um minuto a mais.
Ou a menos.
Não sei se ganho tempo ou se o perco, não sei se cresço ou minguo.
Todo o segundo, eu sufoco. Eu engasgo-me, eu soluço, eu morro.
Todo o segundo, eu sinto-te longe quando deverias estar perto, mais perto.
Mais perto por mais segundos, mais minutos, mais horas, mais dias.
Mais perto todo o segundo, todo o segundo...
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Duas para as duas
Foi um dia que passou... Ela não sabe como o passou, o relógio parou, o sol foi descendo no horizonte e ela não se mexeu do mesmo sítio. Na sua cabeça as memórias bloquearam, o cansaço desapareceu, nada mudou.
No entanto, estava tudo diferente. E tudo mudara quando de manhã ela viu as malas ao pé da porta. Nenhuma palavra fora trocada, a porta fechou-se atrás dele e só quando bateu contra a parede é que ela se deixou cair de joelhos no chão e aí ficara.
Ele tinha-lhe tirado tudo, sem ela perceber aos poucos ela deixara de ser ela própria. Tinha-se ajustado ao molde que ele era, enquanto que ele se mantivera nos seus contornos rígidos.
A vida mudara tanto que agora parecia impossível voltar ao que era. Tudo o que restava fazer era erguer-se do chão e recomeçar um dia novo na esperança que um dia nunca mais vivesse um dia como aquele. Um dia.
As mudanças que em nós apadrinhamos não são más ou sinal de fraqueza, sinal de fraqueza mostra quem parte sem explicação, que não se molda também, que se acha corajoso por fechar a porta.
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